A coluna cervical

 

A coluna cervical se localiza no pescoço entre a parte inferior do crânio e a superior do tronco no nível dos ombros, é composta de sete ossos sobre-postos que são as vértebras. Estas estão unidas por estruturas chamadas ligamentos, músculos e por elementos que preenchem o espaço entre elas são os discos intervertebrais (Fig. 1).


Figura 01 - Coluna Cervical

No interior da coluna cervical encontramos o canal vertebral por onde passa a medula espinhal, que comanda todos os nossos movimentos e sensações, ela é o nosso elemento de ligação corporal com o meio ambiente. Nesta região a medula emite 8 raízes nervosas que se ramificam para a cabeça, pescoço, membros superiores, ombros e parte ântero-superior do tórax.
A região cervical é dotada de grande mobilidade permitindo movimentos de 130° na flexão e extensão, rotação de 81° para cada lado e inclinação de 45º sobre os ombros. Devido a esta mesma mobilidade a coluna cervical sofre mecanicamente pelos esforços que é submetida no trabalho e na vida diária (Fig. 2).

Figura 2 – Movimentos da Coluna Cervical

Dor da coluna cervical

A dor cervical chama-se cervicalgia e quando ela se irradia pelo membro superior (braço, antebraço e mão) recebe o nome de cervicobraquialgia.
Como a dor é uma experiência subjetiva da atividade cerebral em resposta a uma lesão dos tecidos corporais, ela pode ter origem em diferentes causas. Mas basicamente estas lesões, liberam várias substâncias no local e na corrente sanguinea que chamamos de substâncias nociceptivas (provocam sensação de dor). Estas são captadas pelos nervos sensitivos (nociceptores) que levarão a sensação de dor ao cérebro.
As cervicalgias e as cervicobraquialgias podem surgir por diversas causas como traumáticas, alterações mecânicas, doenças degenerativas, infecções, tumores, doenças glandulares (endócrinas e metabólicas), doenças neurológicas, psiquiátricas e dor referida (cuja causa não se localiza na coluna cervical) (Fig. 3).

Figura 3 – Dores de origem Cervical

Causas mecânicas

São dores causadas por carga exessiva ou prolongada sobre a coluna cervical. Normalmente ocorre nos ambientes de trabalho onde as pessoas suportam por longos tempos o peso de sua própria cabeça em posição de flexão e extensão (escriturários, costureiras, mecânicos, eletricista e outros) ou carregando peso sobre a cabeça como estivadores. Estas profissões produzem fadiga muscular, espasmo prolongado e atrofia dos músculos por circulação sanguínea insuficiente e dor (Fig. 4).

Figura 4 – Causas mecânicas das dores cervicais

Causas traumáticas

São dores causadas por contusões, entorses, acidentes automobilísticos (síndrome do chicote), fraturas, luxações (deslocamentos das vértebras) e fraturas-luxações (Fig. 5).

Figura 5 – Causas Traumáticas das dores cervicais

Doenças degenerativas

São as que causam a maior parte das dores da coluna cervical. A espondilose é uma doença generalizada da coluna, atingindo 90% dos homens após os 50 anos e 90% das mulheres após os 60 anos, devido ao processo de envelhecimento relacionado ao disco intervertebral. Pode-se facilmente observar nas radiografias as alterações degenerativas dos discos intervertebrais com diminuição de sua altura e das calcificações (osteofitos vulgarmente chamados de bicos de papagaio) que aparecem nas bordas das vértebras e nas articulações. Estas calcificações indicam que o organismo está depositando cálcio em regiões inflamadas como uma defesa. A desidratação do disco é conseqüente às alterações químicas das substâncias elásticas que o compõem, isto associado aos ligamentos que se calcificam formam os chamados discos duros (hérnias duras). O aumento destes depósitos de cálcio pode ser tão grande a ponto de estreitar o canal medular e comprimir a medula e as raízes nervosas (Fig. 6).

Figura 6 – Espondilose (Discopatia Degenerativa) com osteofito

Tumores

São aumentos de volume anormais de qualquer parte da nossa anatomia que podem ser benignos ou malignos. Eles podem ter origem na própria coluna e os chamamos de primários ou serem originados em outra parte do corpo e se implantado à distância são as metástases. Os tumores, dependendo da localização na coluna, podem causar danos variáveis desde pequena compressão até a destruição completa da parte afetada. Certamente a dor da compressão e da destruição dos tecidos surgirá em algum momento e também a sua intensidade variará (Fig. 7).

Figura 7 – Tumor (Neurofibroma)

Infecções

A coluna pode sofrer infecções por bactérias ou fungos cujo resultado é a destruição dos tecidos no foco da doença e nas proximidades, os danos dependem sempre do micróbio, do tempo transcorrido até o tratamento e das condições de saúde do paciente (Fig. 8).

Figura 8 – Deformidade da coluna cervical causada pela Tuberculose

O tratamento visa descobrir a causa e aliviar a dor. Podemos tratar estas doenças de modo conservador ou cirúrgico.
O tratamento conservador é feito com medicamentos, fisioterapia, uso de travesseiro adequado, medidas corretivas de postura na vida diária e acupuntura . Os medicamentos mais usados são os analgésicos, anti-inflamatórios hormonais ou não hormonais, relaxantes musculares, psicofármacos. Nas infecções, além de imobilização da coluna, usamos antibióticos e, muitas vezes, é necessário tratamento cirúrgico.
A Medicina da Dor é uma especialidade relativamente nova que está auxiliando muito no alívio da dor rebelde ou crônica, inclusive proporcionando grande conforto ao paciente no pré e pós-operatório imediato (Fig. 9).

Figura 9 – Exercícios para o alívio das dores cervicais

O tratamento cirúrgico é mais complexo devido às variações de técnicas existentes, mas podemos resumir assim:
Sempre esgotar as possibilidades com tratamento conservador;
A cirurgia sempre está indicada de urgência quando o paciente apresentar dano neurológico súbito;
Quando a coluna apresentar sinais de desalinhamento progressivo (instabilidade) com dor intensa e alterações de força e sensibilidade nos membros superiores.
A cirurgia da coluna cervical normalmente requer uso de enxerto ósseo e implantes (placas, parafusos e outros dispositivos) que dão estabilidade à região operada (Fig. 10).

Figura 10 - Tratamento Cirúrgico para descompressão e fixação da coluna cervical

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